Deborah Cunha, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Isabella Cardoso, Luciana Kirsten (Yara Tomei) A sensação de que o dia tem horas de menos não é exclusividade de ninguém. Entre trabalho, casa, filhos, alimentação, compromissos e autocuidado, muita gente termina a semana com a impressão de que está apenas apagando incêndios. Na tentativa de dar conta de tudo, o foco costuma recair sobre agendas, aplicativos e listas de tarefas. Mas existe um detalhe que passa despercebido: a quantidade de pequenas decisões tomadas diariamente. O que vestir. O que comer. Onde estão as chaves. O que precisa ser comprado. O que ficou para depois. Separadamente, parecem escolhas simples. Juntas, ajudam a explicar uma sensação cada vez mais comum: a de estar sempre correndo e nunca conseguir concluir tudo. Vanessa Toledo recebeu a personal organizer Isabella Cardoso ao lado das tricoteiras Débora Cunha, Luciana Kirsten e Thaís Campregher para falar sobre organização, produtividade e qualidade de vida. Organização não é estética Quando se fala em organização, muita gente ainda pensa em armários impecáveis, gavetas milimetricamente alinhadas e ambientes que parecem saídos de uma revista de decoração. Na prática, porém, a lógica é outra. “A gente tem a concepção de que organização é dom. E ele pode ser um dom. Só que além de dom, também é uma habilidade”. Segundo Isabella, organização tem menos relação com perfeição e mais com funcionalidade. “Qual é o objetivo da organização? É mais visual? É praticidade? É conseguir acessar as coisas com mais agilidade? O foco precisa estar no objetivo”, resumiu. O que realmente importa não é criar espaços bonitos, mas construir rotinas que facilitem o dia a dia. O problema não é a bagunça Existe uma frase muito comum quando o assunto surge: “eu me encontro na minha bagunça”. E, na verdade, nem sempre isso é um problema. Para Isabella, a questão não está na quantidade de coisas ou no estilo de organização de cada pessoa, mas no impacto que isso gera na rotina. “O problema é quando o caos e a bagunça estão dificultando algo na nossa vida.” Quando a desorganização faz alguém perder tempo procurando objetos, esquecer compromissos, desperdiçar alimentos ou transformar tarefas simples em fontes constantes de estresse, ela deixa de ser uma característica pessoal e passa a afetar a qualidade de vida. Débora Cunha se identificou com esse cenário ao contar que a organização dos ambientes influencia diretamente sua capacidade de concentração: “A minha cabeça é tão desorganizada que eu preciso que o campo que eu estou esteja minimamente em ordem.” Nem sempre a organização está ligada ao gosto por ambientes impecáveis. Muitas vezes, ela funciona como uma ferramenta para trazer mais clareza e tranquilidade ao dia a dia. O peso das pequenas decisões Nem sempre o desgaste da rotina está nas grandes responsabilidades. Muitas vezes, ele aparece na soma de pequenas decisões que precisam ser tomadas ao longo do dia. O que vestir. O que preparar para comer. O que comprar. O que resolver primeiro. O que pode ficar para depois. Separadamente, parecem escolhas simples. Juntas, exigem tempo, atenção e energia. Separar ou não a roupa do dia seguinte? A proposta dividiu opiniões. Enquanto algumas enxergam a prática como uma forma de economizar tempo, Vanessa Toledo lembrou que nem sempre é possível prever como alguém vai querer se vestir ao acordar. Para ela, a escolha também envolve humor, estilo e a disposição daquele dia. Por trás da troca de opiniões apareceu uma questão importante: o excesso de escolhas também gera desgaste. Quanto menos escolhas precisam ser feitas na correria, mais leve tende a ser a rotina. “Escolha faz a gente perder tempo. Quanto menos opções nós temos, mais fácil tomar uma decisão.” Ainda assim, a especialista reforçou que não existe uma fórmula única. “Tudo que a gente faz muito forçado ou tenta fazer de uma maneira muito rápida e acelerada não traz benefícios para a gente.” Mais do que seguir regras, a proposta é encontrar métodos compatíveis com a própria realidade. Para algumas pessoas, isso significa planejar. Para outras, simplificar. O importante é que a organização trabalhe a favor da rotina, e não se transforme em mais uma cobrança. Isabella Cardoso (Yara Tomei) Liberdade também se constrói com organização Existe uma ideia bastante difundida de que organização significa rigidez, mas talvez aconteça justamente o contrário. Quando cada coisa tem um lugar, sobra menos tempo procurando. Quando existe planejamento, diminuem os imprevistos. Quando a rotina flui melhor, sobra energia para outras prioridades. Para Isabella, esse é um dos principais benefícios da organização. “Eu acredito muito na organização com direção de liberdade.” A definição resume uma mudança de perspectiva importante. Organizar não significa controlar cada detalhe da rotina, mas criar sistemas que funcionem de forma mais leve e eficiente. Liberdade para encontrar o que precisa, para não perder tempo com tarefas repetitivas e para dedicar atenção ao que realmente importa. Quando a cozinha trabalha a favor da saúde A organização também apareceu sob a perspectiva da saúde. Luciana Kirsten explicou que uma cozinha funcional facilita escolhas melhores, reduz desperdícios e ajuda a manter hábitos mais consistentes. “Quando a geladeira está entulhada de coisa, você acaba não observando. As coisas estragam, começam a cheirar mal e você perde aquilo que comprou.” A nutricionista contou que mantém uma rotina de planejamento e controle dos alimentos justamente para evitar perdas e garantir que os produtos sejam consumidos dentro do prazo adequado. Segundo ela, organização e alimentação caminham juntas muito mais do que parece. Quando tudo está visível, identificado e acessível, fica mais fácil seguir o planejamento alimentar. Quando reina a desordem, aumenta a chance de desperdício e de escolhas feitas apenas pela praticidade do momento. Entre a organização e o perfeccionismo Se organização traz benefícios, o perfeccionismo pode produzir o efeito contrário. Thaís Campregher contou que sempre foi uma pessoa bastante organizada, tanto em casa quanto no consultório. Com o tempo, porém, aprendeu a flexibilizar algumas exigências, especialmente depois da maternidade. “Hoje em dia eu estou aprendendo a fechar os olhos um pouco para uma bagunça de criança aqui, um papel picado ali, para não ficar neurótica.” A reflexão faz sentido porque muitas vezes a busca pela perfeição acaba se transformando em mais uma fonte de cobrança. Nem toda gaveta precisa parecer capa de revista. Nem toda casa vai permanecer arrumada o tempo todo. Nem toda rotina vai seguir o planejamento à risca. Organizar não significa eliminar a vida real. Significa criar soluções que funcionem dentro dela. PRA GUARDAR NA CAIXINHA Organização não tem relação apenas com armários, gavetas ou produtos organizadores. Ela aparece nas pequenas decisões do dia a dia. Na refeição planejada, na chave que sempre volta para o mesmo lugar, na rotina que exige menos esforço para funcionar. Organização não é dom. É uma habilidade que pode ser desenvolvida. O problema não é a bagunça. É quando ela começa a atrapalhar a vida. Pequenas decisões também consomem energia. E ganhar tempo não significa apenas ser mais produtivo. Significa ter mais espaço para viver. Deborah Cunha, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Isabella Cardoso, Luciana Kirsten (Yara Tomei) Onde Assistir Esse e outros episódios do Tricotáh estão disponíveis no canal oficial do programa no YouTube. Toda terça-feira, às 19h, um episódio inédito leva ao público conversas sobre comportamento, saúde, carreira, relacionamentos e os desafios da vida real. Link do youtube: https://youtu.be/FJhiws5_epo?is=WD9ixMyXYJ5s3FqP