(Imagem ilustrativa/Freepik) Poucas coisas são tão imponderáveis como o amor. Para Foucault, as pessoas nunca estariam em busca desse grande amor se não tivessem escutado desde sempre estórias românticas em que o tema central para dor ou gozo era sempre o amor. Quem já se apaixonou não concorda com isso, mas é preciso reconhecer que esse produto, o amor, tem uma propaganda super eficiente. Desde que nascemos, sabemos que uma pessoa sozinha não pode ser feliz, enquanto crianças sim, mas enquanto adultos, temos aqui uma questão. Mas sendo a única maneira de ser feliz ou não, acreditamos nisso e seguimos a vida em busca desse grande amor. Para tanto, temos dois caminhos ou os dois devem ser totalmente iguais, mesmos anseios, mesmos desejos e gostar dos mesmos filmes e mesmas músicas, no restaurante quererem comer a pizza do mesmo sabor, tendo a mesma opinião sobre tudo. Enfim as tais almas gêmeas. A outra possibilidade é serem absolutamente diferentes, um ser do dia e do esporte, o outro da noite e das baladas, um ser de direita e outro de esquerda, para esse casal nada como um bom conflito para manter a casa e a cama em constante movimento. Aquela máxima de que os opostos se atraem. Apesar dessas duas possibilidades, não podemos negar que a grande maioria de pessoas ainda busca aquele ou aquela que seja praticamente um clone. Apesar dessa dualidade, depois de tantos anos lidando com casais, vejo que uma ou outra fórmula pode dar certo desde que o casal tenha a maturidade de trabalhar as questões que convergem sem acomodação, e aqueles que são muito diferentes tenham a abertura de entrar em contato com as propostas de prazer do outro que podem ser um caminho de ampliar a relação e a própria vida. Não há novidade que uma relação se constrói dia a dia, espera-se que nunca esteja pronta e acabada. Amadurecemos, nos transformamos e, de preferência, refinamos a nossa percepção do mundo e dos outros. Se usarmos isso para bons encontros, conseguimos manter o projeto inicial do encontro dessas duas pessoas, do motivo do apaixonamento quer sejam as diferenças ou as semelhanças. Não duvido de que o amor é uma emoção intensa, essencial poderoso. Mas o tempo é um adversário com o qual temos que estar conversando, analisando e, principalmente, acatando. Às vezes o amor vence, as vezes o tempo vence, mas se não tentar, como saber?